Análise de câmeras e depoimentos: como polícia descobriu que homem mentiu sobre acidente que matou esposa e filha no Paraná
11/05/2026
(Foto: Reprodução) Marido que estava com esposa e filha em carro que caiu em rio do Paraná é preso
A análise de 23 imagens de câmeras de segurança e depoimentos de testemunhas fizeram a Polícia Civil do Paraná (PC-PR) prender Márcio Talaska, de 38 anos, na sexta-feira (8) por suspeita de provocar o acidente em que a esposa e a filha dele morreram, em 2 de maio, em Porto Rico. Ele também estava no carro, mas conseguiu se salvar.
(CORREÇÃO: ao publicar esta reportagem, o g1 errou ao informar que o carro caiu na cidade de Nova Londrina. Na verdade, a queda aconteceu em Porto Rico. A informação foi corrigida às 12h23)
Leia mais: Quem eram mãe e filha encontradas mortas dentro de carro submerso em rio do Paraná
Segundo a polícia, Márcio prestou depoimento e disse que era a esposa quem estava dirigindo o veículo e que ela se perdeu no caminho. Contudo, durante a investigação, testemunhas disseram que foi ele quem dirigiu o carro durante todo o trajeto. Essa informação foi confirmada depois que a polícia reconstituiu o caminho percorrido pela família, a partir de imagens de câmeras de segurança.
Iria Djanira Roman Costa Talaska, de 36 anos, e Maria Laura Roman Talaska, de três anos foram encontradas mortas em um carro submerso que caiu no Rio Paraná. A queda do carro no rio foi filmada. Assista acima.
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A delegada disse que, a partir dos vídeos e dos depoimentos, não foi possível confirmar que a pessoa que estava dirigindo o carro estivesse perdida, como dito no depoimento por Márcio. Isso porque o trajeto percorrido pelo veículo durou cerca de oito minutos, de forma linear.
"Não havia uma postura ali do casal de perguntar onde seria a saída da cidade, não teria nenhuma evidência através das câmeras de monitoramento de que esse casal teria perguntado, pedido algum tipo de ajuda e perguntado a saída da cidade.[...] Com todos esses elementos, há indicativos de que o masculino teria cometido tal fato de forma proposital", disse a delegada.
Iria Djanira Roman Costa Talaska e Maria Laura Roman Talaska foram encontradas mortas dentro de um carro submerso no Rio Paraná.
Reprodução/Redes Sociais/PC-PR
As imagens também mostram o momento em que o carro acessa a rampa e cai no rio. Conforme a delegada, Márcio conseguiu sair com facilidade do carro e demorou cerca de um minuto e meio para pedir ajuda.
Conforme a delegada, Márcio é investigado pelo crime de feminicídio — pela morte da esposa — e homicídio — pela morte da filha. Ela informou que aguarda o resultado de outros laudos para concluir o inquérito policial.
A defesa de Márcio Talaska informou que ainda não teve acesso integral ao autos, mas adiantou que vai tentar reverter a prisão. Veja abaixo a nota na íntegra.
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O acidente
Mãe e filha morrem ao cair em rio no Paraná
Reprodução/RPC
O caso aconteceu por volta das 22h30 de 2 de maio. De acordo com o Corpo de Bombeiros, as equipes acessaram o carro durante a madrugada e retiraram mãe e filha sem vida. Ainda no domingo, os bombeiros e policiais civis retiraram o carro do rio.
As vítimas foram sepultadas na segunda-feira (4), no Cemitério Municipal de Nova Londrina.
A mulher trabalhava no Hospital Municipal Santa Rita de Cássia, de Nova Londrina. A prefeitura divulgou nota de pesar e manifestou solidariedade aos familiares.
A prefeitura também lamentou a morte de Maria Laura, aluna do Centro Municipal de Educação Infantil Arco-Íris.
Posicionamento da defesa
"A defesa de Márcio Talaska vem a público manifestar sua irresignação diante da decretação de sua prisão preventiva. Até o presente momento, a defesa não teve acesso integral à decisão judicial, tampouco aos elementos de prova que teriam fundamentado medida tão grave e excepcional. Por essa razão, qualquer análise mais aprofundada será realizada assim que a defesa tiver conhecimento completo dos fundamentos utilizados para justificar a segregação cautelar. É necessário registrar que Márcio encontra-se profundamente abalado, emocionalmente destruído pela tragédia que vitimou sua esposa e sua filha. Trata-se de um homem que, além de enfrentar uma perda irreparável, agora se vê privado de sua liberdade antes mesmo de ter acesso pleno aos elementos que sustentaram essa decisão. A defesa respeita as instituições, mas entende que a prisão preventiva, por sua natureza excepcional, deve estar sempre amparada em fundamentos concretos, atuais e devidamente demonstrados, não podendo servir como resposta automática à comoção pública ou à gravidade abstrata dos fatos. Diante disso, serão adotadas todas as medidas jurídicas cabíveis para impugnar a decisão e buscar a imediata revogação da prisão preventiva, com o restabelecimento da liberdade de Márcio. A defesa reafirma sua confiança no Poder Judiciário do Estado do Paraná, na serenidade da Justiça e na certeza de que, com acesso integral aos autos e ao contraditório, será possível demonstrar a arbitrariedade da medida e obter a restituição de sua liberdade."
Infográfico - Local onde carro com mãe e filha mortas foi encontrado submerso no Rio Paraná, em Porto Rico.
Arte/g1
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